«Povo que lavas no rio.
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão!
Pode haver quem de defenda
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida não…»
(Pedro Homem de Melo ) na voz de Amália Rodrigues.
A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, “destino”. De origem obscura, terá surgido provavelmente na primeira metade do século XIX.
O que se observa é uma disputa entre os que escrevem sobre o Fado, em que, como se diz na gíria popular, cada um (puxa a brasa à sua sardinha , uns que o Fado teve como princípio o Bairro de Alfama, outros que em Alcântara, outros no Bairro Alto, outros na Madragoa, e mais precisamente no Bairro da Mouraria, por naquele Bairro terem habitado os mouros, por D. Afonso Henriques na era cristã os ter obrigado a sair do Bairro da Madragoa, obrigando-os a viver na parte oriental de Lisboa, e foi naquele sítio que os mouros se instalaram, daí o nome do Bairro da Mouraria.

- O Fado foi pintado em 1910
É certo que fora ali, com paragens nas tabernas e bordéis desses bairros populares do antigamente, que o Fado se celebrizou, denunciando a sua origem popular, a alma do povo, e bem cedo começou a frequentar os mais aristocráticos salões, sempre muito bem acolhido com entusiasmo e carinho pela fidalguia, e não se pode dizer que por este motivo exista Fado aristocrático, e fado do povo, como alguns teimam em dizer: e tambem não há Fado velho e Fado novo, porque existe só um FADO.
O Fado, na primeira metade do século XX, foi adquirindo grande riqueza melódica e complexidade rítmica, tornando-se mais literário e mais artístico. Os versos populares são substituídos por versos elaborados e começam a ouvir-se as décimas, as quintilhas, as sextilhas, os alexandrinos e os decassílabos.
Os artistas que cantam o fado trajavam de negro. É no silêncio da noite, com o mistério que a envolve, que se deve ouvir, com uma “alma que sabe escutar”, esta canção, que nos fala de sentimentos profundos da alma portuguesa. É este o fado que faz chorar as guitarras…
O fado de Lisboa, que é hoje conhecido mundialmente, pode ser (e é muitas vezes) acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra.
O fado dito “típico” é hoje em dia cantado principalmente para turistas, nas “casas de fado” e com o acompanhamento tradicional. Mantém as características dos primórdios: o cantar com tristeza e com sentimento mágoas passadas e presentes. Mas também pode contar uma história divertida com ironia ou proporcionar um despique entre dois cantadores, muitas vezes improvisando os versos – então, é a desgarrada.

- Os Bêbados foi pintado em 1907
As figuras expostas no quadro de Malhoa que simboliza o Fado, não são nem a Severa, nem o conde do Vimioso. As figuras expostas são a Adelaide que tinha por alcunha a “Adelaide da Facada”, por numa briga ter ficado com cicatrízes na face esquerda, e por isso aparece no quadro nessa posição. Ele é o Amâncio guitarrista, amante da Adelaide.
Dizem que Este quadro esteve numa exposição em Paris, com o título “Os bêbados” e que mas mais tarde, José Malhoa, seu autor, dá-lhe título de o “FADO“. Tal afirmação está certamente errada, uma vez que existem os dois quadros como se pode ver nas imagens deste post. “Os Bêbados” foi pintado em 1907 e ”O Fado” foi pintado em 1910.
O Fado é cantado de Pé:
Na sequência das suas actuações no Chiado Terrasse, Alfredo Marceneiro, que já tinha criado o hábito de cantar o fado à média-luz, tem um dos seus repentes de criatividade e levanta-se para cantar o Fado. Todos os fadistas cantavam sentados, os espectadores mais distantes tinham a tendência de se levantar, afim de poderem ver quem estava a actuar.
Isto provocava um certo burburinho que prejudicava as actuações, com a atitude de Alfredo Marceneiro, o Fado ganhou outro respeito. A partir desse dia, os tocadores e os fadistas passaram a ter um lugar de destaque nas salas onde actuavam e o Fado começou a ser cantado em pé.
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